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Amini Boainain Hauy

Natural de Ribeirão Preto, Amini Boainain Hauy fez curso superior na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo . Nessa mesma Universidade cursou a Pós-Graduação, apresentou monografia de Mestrado e defendeu tese de Doutorado, obtendo os títulos de Mestra e de Doutora em Filosofia e Língua Portuguesa.

Nos seus trinta e cinco anos de magistério oficial e particular, ministrou cursos de expansão cultural, de atualização, de aperfeiçoamento e de especialização. Participou de bancas de concurso, de seminários e congressos e proferiu inúmeras palestras.

Além de vários trabalhos de pesquisa apresentados durante o Curso de Pós-Graduação : A oração gerundiva em Português (USP-1974), Edição crítica de uma cantiga satírica medieval (USP-1972), A IDADE MÉDIA de longa duração (USP-1972), Princípios Teóricos da Gramática Transformacional (USP-1972), Conto, Ficção, Novela, Romance (USP_1973) e O Português Arcaico (USP-1975), publicou apostilas, artigos em jornais e revistas e algumas obras.

Para os alunos do Curso de Letras, editou as apostilas : Fonética e A reforma Ortográfica (Faculdade Barão de Mauá- 1971 e 1972).

Para os cadetes da Academia da Força Aérea : Gramática : conceito e divisão (AFA-março/1990), Gramática : teoria e prática (AFA-março/1991), Tratamento (AFA-março/1989), Dificuldades Ortográficas (SEAE, SUSSE, AFA- maio/1987), Pontuação e Colocação Pronominal (AFA-set/1989), Período simples e período composto . O emprego da vírgula (AFA-abril/1990) e Colocação pronominal (AFA-ago/1990).

No Suplemento Literário do Diário Oficial do estado, Leitura, foi publicado seu artigo Confusão no reino da Gramática (Ano II, no. 20 – SP, jan/1984, p. 18) e na revista Letras do Centro de estudos Portugueses da Universidade Federal do Paraná, O Espelho em O Jogo da Cobra Cega : uma perspectiva psicanalítica simbólica (no. XXIV, Curitiba, 21-34, dez/1975 ). Em O Diário de Notícias, jornais de sua cidade natal, publicaram-se, respectivamente, os artigos ; O Romance de Machado de Assis (19/abril/1960- p.4) e A Descoberta do Outro ( 06/nov/1960 – p.3), este como trabalho premiado em concurso literário.

Pela Editora Ática, foram editadas suas obras : História da Língua Portuguesa, v.I – séculos XII, XIII e XIV ( Fundamentos, 21) São Paulo, 1990, Acentuação gráfica em vigor . 2a. ed. (Princípios 175 ), São Paulo, 1991, Vozes verbais : sistematização e exemplário (Princípios 219) São Paulo, 1992 e Da necessidade de uma gramática-padrão da Língua portuguesa, 4a. ed. (Ensaios, 99), São Paulo, 1994.

Esta última, que é a publicação da tese de Doutoramento, é a obra de maior importância . Sua repercussão atingiu o âmbito do Congresso, e a proposta de elaboração de uma gramática-padrão para fins didáticos se transformou em Projeto-de-Lei, unanimemente aprovado pela Comissão de educação e Cultura da Câmara Federal.

A respeito dessa tese, assim se expressou o professor emérito da Universidade de São Paulo, Segismundo Spina, no Apresentando da citada obra :

“Joaquim Mattoso Câmara não se cansou de nas suas obras pregar um tipo de revisão crítica na bibliografia da língua nacional ; mas ficou na pregação pura e simples (…..) Herculano de Carvalho também propugnou a necessidade de uma reformulação da terminologia gramatical, que considerava obsoleta . Quando Cândido de Figueiredo lecionava Português no único liceu existente em Lisboa, nos fins do século passado, já se lamentava das gramáticas existentes ( …..) .

Sucede que só hoje, decorridos vários séculos nos domínios da gramaticografia portuguesa, a Professora Amini aparece com a formulação corajosa de sua proposta, tendo-a submetido preliminarmente a prova de Doutoramento, de cuja Comissão Julgadora tivemos a honra e o prazer de participar.

O aspecto aparentemente polêmico do trabalho advém de sua própria natureza, não da intenção da Autora. E tal caráter, ao invés de parecer uma irreverência para com as autoridades da língua, revela independência profissional e coragem intelectual. Quantos trabalhos dessa natureza deixaram de ser feitos porque se temeu sacudir o pedestal dos gramáticos consagrados ? A sua proposta constitui-se, portanto, numa sacudidela vigorosa no “magister dixit” e nas infundadas pretensões de originalidades das gramáticas vigentes . Aliás, demonstrar – como sobejamente demonstrou – a importância da elaboração de uma gramática portuguesa padrão, para fins didáticos, baseada na investigação rigorosamente objetiva dos fatos gramaticais e alicerçada na coerência e uniformização dos conceitos e numa atitude científica de análise, foi a meta perseguida neste estudo e, com muita propriedade, alcançada pela Autora ” .

UM PROJETO PARA A EDUCAÇÃO SOBRE A NECESSIDADE DE UMA GRMÁTICA-PADRÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA

HISTÓRICO DO PROJETO-DE-LEI no. 4350 de 1984, unanimemente aprovado em 14/8/1985 pela COMISSÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA DA CÂMARA FEDERAL e, por ato da CÂMARA, arquivado em 5/4/1989, em função das exigências de trabalho na CONSTITUINTE.

AMINI BOAINAIN HAUY, doutora em Filosofia e Língua Portuguesa pela UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO e autora de obras específicas de Língua Portuguesa, publicadas pela EDITORA ÁTICA, demonstrou, em tese de doutoramento aprovado na Universidade de São Paulo, o estado caótico em que se encontra a teoria gramatical do PORTUGUÊS e, conseqüentemente, o ensino do idioma pátrio .

A partir de um estudo crítico-comparativo das gramáticas normativas mais conhecidas no País, em número superior a cinqüenta (50), adotadas nas ESCOLAS, CURSINHOS e FACULDADES e relacionadas nas bibliografias de CONCURSOS, a pesquisadora provou que a teoria gramatical do PORTUGUÊS, descrição ordenada, uniforme e coerente dos fatos da língua, que deveria ser, revela-se como um amontoado de lições divergentes e contraditórias, além de muito empobrecidas pelos exemplos errados e pelas falsas definições . Mostrou, ainda, que, na avaliação de conhecimento gramaticais em vestibulares, provas ou concursos de qualquer espécie, as divergências e contradições dos autores de gramáticas normativas implicam, quase sempre, uma correção inevitavelmente arbitrária e injusta .

Dessa forma, a bem do ensino e da preservação de um patrimônio cultural dos mais importantes, que pé a língua pátria, a referida pesquisadora propôs uma revisão crítica dos estudos gramaticais do PORTUGUÊS, visando à elaboração de uma gramática-padrão, para fins didáticos, alicerçada na coerência e uniformização dos conceitos e numa atitude científica de análise.

Tal proposta, apresentada inicialmente à Universidade de São Paulo como tese de doutoramento, foi publicada em 1983 pela Editora Ática ( DA NECESSIDADE DE UMA GRAMÁTICA-PADRÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA – Coleção Ensaios-99) .

A inclusão da referida obra nas bibliografias específicas de doutrina gramatical, bem como sua publicação já em 4a. edição, atestam a aceitação da tese nos meios intelectuais do País.

Amplamente divulgada pela imprensa falada (TV-MANCHETE: Programa ” FRENTE A FRENTE “, TV-CULTURA e TV-GLOBO) e escrita, a proposta de uma gramática-padrão teve o apoio irrestrito e veemente da opinião pública, manifesta em jornais de grande circulação, como a FOLHA DE SÃO PAULO e O ESTADO DE SÃO PAULO.

Sua repercussão atingiu o âmbito do CONGRESSO : o PROJETO-DE-LEI no. 6524, de 1982, que determinava a elaboração e publicação de uma gramática-padrão da língua portuguesa a cargo do MEC, ” seguindo a esteira do pensamento da pesquisadora “, foi reapresentado em 1984 ( PROJETO-DE-LEI no. 4350 ) e unanimemente aprovado pela COMISSÃO DE EDUCAÇÃO E CULTURA DA CÂMARA FEDERAL em 14/08/85.

Entretanto, em função das necessidades de trabalho na CONSTITUINTE, a CÂMARA determinou, em 05/04/85, arquivarem-se todos os projetos em tramitação . (Resolução no. 6, de 04/04/89).

No momento em que o Excelentíssimo Ministro da Educação, Paulo Renato Sousa, invida esforços para a melhoria da qualidade de ensino e propõe avaliação dos cursos universitários, para a qual obviamente necessita de um padrão de desempenho lingüístico culto, torna-se oportuno e honroso subsidiar, com esse projeto, a consecução dessa prioridade do atual governo.

Evidentemente a elaboração de uma gramática-padrão nada tem a ver com língua portuguesa padrão, nem com imposição de normas da língua culta às mais variadas camadas lingüísticas, como uma camisa de força; nada tem a ver também com a importância das variações regionais, da Sociolingüística, dos níveis de fala, do “certo” ou do “errado” ou do “adequado”, e, muito menos, com a existência ou não de língua brasileira como muitos inadvertidamente possam interpretar . O que se discute, na verdade, é o caos da teoria gramatical do português nos nossos dias, e o que se propõe é que se acabe com a libertinagem de cátedra e com suas conseqüências extremamente danosas para o ensino e que se adote para o ensino da língua pátria, no dizer de Celso Cunha, ” uma política realista, que lute não por uma utópica unificação do idioma, mas por manter a sua unidade relativa “, a exemplo dos países desenvolvidos.

Apelar para a liberdade de pensamento e expressão como justificativa do vale-tudo das lições gramaticais do livro didático e, conseqüentemente, do ensino do idioma pátrio, é, sem dúvida, desconhecer a importância da norma culta na manutenção dessa unidade .

Assim, por ser de interesse da NAÇÃO, enfatizando-se que a GRAMÁTICA é a codificação dos fatos da língua para fins de interesse social e que o sistema lingüístico do Português, como entidade social que é, deve ser objeto de um trabalho persistente de sistematização objetiva, coerente e uniforme, sem o qual o ensino da língua pátria continuará sendo deficiente e improdutivo, espera-se que o Projeto-de-Lei no. 4350 de 1984, já unanimemente aprovado pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal, seja reconsiderado, para que tramite até a sanção do Excelentíssimo Senhor Presidente da República.