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SEM MEMÓRIA

SEM MEMÓRIA

É frequente ouvir-se dizer que este país não tem memória, que o povo brasileiro não tem memória… Se não é verdade, finge-se muito bem, pois exemplos de falta de memória ou de esquecimento proposital são abundantes. Basta referir – já que é o assunto do momento – que  a corrupção entre os políticos, mesmo reiterada, é esquecida e eles continuam fazendo o que querem.

Ribeirão não foge à regra, mas não é de política que quero falar e sim de cultura. Acredito que ninguém mais se lembra da origem da feira do livro, e eu já escrevi sobre elas duas vezes, e vou relembrá-la agora, que já caminhamos para a oitava. Provavelmente alguém se lembra, mas não interessa falar, então falarei para quem não se lembra.

Em 2001, numa reunião da Academia Ribeirãopretana de Letras (ARL), a acadêmica Ely Vieitez Lisboa sugeriu que fizéssemos um encontro de escritores em nível nacional, ou, pelo menos, estadual. Já havíamos ido a dois, em Barretos e em Águas de São Pedro, por que não fazer em Ribeirão?

O assunto entusiasmou o presidente, Antônio Carlos Tortoro e todos os presentes,  e a idéia cresceu para feira em vez de encontro. Já tínhamos visto uma ou outra, pequenina, no SESC. A idéia cresceu mais: convidar o SESC, já que a ARL não tinha dinheiro suficiente para bancar sozinha e o SESC sempre proporcionou momentos culturais para a cidade, trazendo intelectuais que lotavam seu auditório.

Ato contínuo, a Academia se dirigiu ao SESC (temos até fotografias com os diretores da época) que apoiou a  sugestão e a ampliou ainda mais: convidar a prefeitura, para ajudar, através das secretarias de educação e cultura.

E todos então se envolveram, e aí está em ordem cronológica e direta, a história do nascimento (esquecida) da feira do livro em Ribeirão.É que a idéia era tão bonita que resolveram tomar a frente e ficar sendo o herói do empreendimento, sem sequer fazer menção à idéia original. Os diretores do SESC  hoje são outros, da ARL idem, alguns nem faziam parte dela, na época.

Outro dia estive na reunião inicial para a execução da oitava feira, e a falta de memória se confirmou. Ninguém se lembra de que foi a ARL que despertou o interesse. Não tem importância, a ARL já sofreu coisas bem piores. O importante é que, apesar de alguns senões que poderiam ser facilmente removidos, como excesso de eventos, prejudicando a verdadeira finalidade, e um cuidado maior com a escolha de convidados, a feira tem sido um sucesso, ora para mais, ora para menos e tem levado o nome de Ribeirão para outras paragens.

Pena que o escritor de Ribeirão e região não tem sido tratado como merece, porque, afinal, é ele quem faz a literatura da cidade e, amanhã, se alguém escrever a história ou um dicionário da literatura da cidade e da região ( coisa que eu gostaria de fazer, até já comecei) é o nome dos escritores que vão ficar impressos para sempre.

Este ano a feira homenageia o estado de São Paulo.Ora, Ribeirão é uma das mais im portantes cidades do estado. Esperamos que os organizadores eliminem as falhas do passado e tragam gente que realmente faz literatura e cultura de alto nível.

 

Nilva Mariani

 

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