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HOMENAGEM PÓSTUMA – VALTER DE PAULA: UM PROFESSOR DE VIDA

HOMENAGEM PÓSTUMA  –  VALTER DE PAULA: UM PROFESSOR DE VIDA

 

“Não sabemos onde a morte nos espera: então vamos por ela esperar em toda parte. Praticar a morte é praticar a liberdade. Um homem que aprendeu como morrer desaprendeu a ser escravo”

 

Montaigne

 

Para os tibetanos, a grande festa do ano é o Ano Novo, que é como o Natal, a Páscoa, o Dia de Ação de Graças e o seu aniversário, todos juntos numa festa só.

Hoje, 24 de novembro, é, no Brasil, Dia de Ação de Graças.

Hoje é também o dia em que um grande amigo nos deixou… um pouquinho antes do Natal e do Ano Novo.

Conheci Valtinho quando fiz meu curso de Filosofia Ciências e Letras – Licenciatura Plena em Matemática, Física e Desenho Geométrico no, hoje, Centro Universitário Barão de Mauá: ele era Técnico em Contabilidade — Formado pela Escola Senac “José Gomes da Silva “— um funcionário da secretaria e do expediente.

Eram tempos de Domingos João Spinelli e Fávaro, fundadores da instituição.

Era intrigante vê-lo datilografar com somente uma das mãos devido haver sido vítima de paralisia infantil — motivo de momentos marcantes de inomináveis discriminações que sofreu durante sua juventude.

Tive a satisfação de trabalhar com sua esposa, a Mazé, professora do antigo Colégio Santa Úrsula, na Rua Prudente de Morais, onde vi crescerem seus filhos junto com os meus.

Vi Valtinho, agora Dr Valter de Paula — Graduado em Direito pelo Centro de Ciências Humanas da Universidade de Ribeirão Preto, com habilitação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo — perder sua companheira de longos anos.

E participei com ele de algumas reuniões da ARE – Academia Ribeirão-pretana de Educação, idealizada, fundada e presidida por mim durante os cinco primeiros anos do sodalício.

Em uma entrevista interessante, dada por ele ao informativo Inconfidência Ribeirão — disponível na internet — o grande ser humano, cidadão ribeirãopretano, nascido em São Paulo, capital, em 10 de outubro de 1943, disse:

“Devemos sempre acreditar no ser humano. Sempre acreditar. Isso é de fundamental importância. Você não tem porque não acreditar. As pessoas têm o lado bom, e você tem que acreditar nisso. Porque quando você está bem, todos estão ao seu lado. Quando você tropeça, as pessoas, ao invés de darem a mão, querem pisar na sua cabeça, afunda-lo ainda mais. Poxa, dá a mão, tenta!  Às vezes não dá para ajudar, mas que seja só verbalmente, uma palavra de incentivo e de apoio. É disso que a pessoa pode estar precisando naquele momento. É preciso acreditar nas pessoas, fazendo cada um sua parte, dentro da sua área, procurando fazer isso da melhor forma possível, e sempre pensando no bem estar, não só seu, que é fundamental importância, mas pensando também que outros podem depender de seu apoio. É essa lição que eu quero deixar para os meus filhos, e que eles façam assim. Acredito que eles farão dessa forma “.

Esse é, e sempre será em nossas memórias, o Valtinho: uma cara do bem.

Gyalsé Rinpoche dizia: “Planejar o futuro é como ir pescar numa ravina seca; nada sai como você quer, portanto abandone todos os seus esquemas e ambições. Se você tem que pensar em alguma coisa – pense na hora incerta de sua morte…”.

Ás vezes precisamos nos sacudir e nos perguntar de fato: “E se eu morrer esta noite, o que vai ser? “Nunca sabemos se vamos acordar no dia seguinte, ou onde. Se você expira e não pode voltar a inspirar, está morto. É mesmo simples assim. Como diz um ditado tibetano: “Amanhã ou a próxima vida – o que vem primeiro, nunca se sabe”.

Agora o corpo do nosso colega de ARE, Cadeira número 8, jaz imóvel no seu último leito enquanto vozes sussurram algumas últimas palavras. Uma lembrança final desliza sob o olhar da mente: quando esse drama chegará para nós?

Sendo assim, sugiro a todos que conviveram com Valter de Paula, que nesse Dia de Ação de Graças, nos juntemos para demonstrarmos nossa gratidão a Deus pela benção recebida durante anos, de podermos conviver com um ser humano especial, um guerreiro, um exemplo de humildade e respeito ao próximo.

 

Na foto de AC Tórtoro, do Grupo Amigos da Fotografia, o Dr Valter em uma das reuniões da ARE,  realizadas na biblioteca do Colégio Anchieta – rua Camilo de Mattos, 2211 – Jardim Paulista.

 

 

ANTONIO CARLOS TÓRTORO

ancartor@yahoo.com

www.tortoro.com.br

 

 

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