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DISCURSO DO ACADÊMICO DALTON DE SOUZA AMORIM, CADEIRA NO. 22 DA ARE- ACADEMIA RIBEIRÃO-PRETANA DE EDUCAÇÃO, CUJO PATRONO É MARIA DE LOURDES JORGE, NO DIA EM QUE RECEBEU O TÍTULO DE CIDADÃO RIBEIRÃOPRETANO

DISCURSO DO ACADÊMICO DALTON DE SOUZA AMORIM, CADEIRA NO. 22 DA ARE- ACADEMIA RIBEIRÃO-PRETANA DE EDUCAÇÃO,  CUJO PATRONO É MARIA DE LOURDES JORGE,  NO DIA EM QUE RECEBEU O TÍTULO DE CIDADÃO RIBEIRÃOPRETANO

Exmo.Sr. Vereador Marcos Papa, Presidente desta Sessão Solene representando o Presidente da Câmara, Vereador Walter Gomes, autoridades presentes, meus familiares, amigos, colegas, facilitadores dos cursos do Instituto Sri Sathya Sai de Educação do Brasil em Ribeirão Preto, professores e funcionários da Escola Sathya Sai de Ribeirão Preto, pais e familiares de alunos, queridos alunos da Escola Sathya Sai, queridos cidadãos desta cidade que me acolheu e me acolhe,

 

Algumas coisas alcançamos ao longo da vida por as colocarmos como meta e nelas investirmos. Outras vêm de forma bastante inesperadas, algumas boas, algumas difíceis. Uma homenagem na forma de concessão do título de

Cidadão Ribeirãopretano foi muito inesperada—e boa. Nascido no Rio de Janeiro, morei em Ribeirão Preto de fevereiro de 1962 a fevereiro de 1976, tendo retornado à cidade em junho de 1990 e aqui me radicado. Nos intervalos em que não morei aqui, estive em muitos lugares e conheci muitas terras. Apesar da falta do sotaque, ainda me sentia carioca.

Radicado aqui, não tenho planos de sair. Mas sentir-me Ribeirãopretano por concessão oficial é uma surpresa. Diz-se que a verdadeira cultura mora nos vilarejos. Tornar-me como cidadão, desta maneira, parte da comunidade que vive no interior do país é uma honra. A urbanização em larga escala com freqüência vem com perdas. Proximidade, pureza,força, determinação, solidariedade são algumas características mantidas em cidades menores e vilarejos, ainda que por vezes preservadas pelos bravos habitantes das grandes cidades.

Sei que a concessão deste título não advém, basicamente, de minha carreira científica. O envolvimento com o projeto   da   Escola   Sathya   Sai   de   Ribeirão   Preto,   junto   com  um   conjunto   muito   comprometido de educadoras   e educadores, de pessoas da sociedade civil, de pais e mães, avós, de funcionários, de voluntários, tem me trazido fundamentação para meu trabalho de formador de professores como docente do curso de Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas na Universidade de São Paulo. Participar do projeto tem me trazido, ainda mais, cotidianamente enorme alegria e um sentido mais profundo e duradouro de realização pessoal. Tem me trazido, mais, fé na condição humana, uma confiança ímpar no que seja verdadeiramente a educação. Dessa maneira, Sr. Presidente, já me sentia

mais do que beneficiado pela oportunidade de integrar um projeto assim, já tive mais retorno do que poderia esperar de estar envolvido em um projeto tão especial.

Criada formalmente em um domingo de Páscoa, em 2002, a Escola Sathya Sai de Ribeirão Preto completa ao final deste ano letivo 15 anos de funcionamento escolar ininterrupto. Participei da fundação da Escola; integrei a Associação Mantenedora da Escola como Presidente por dois mandatos, como Vice-Tesoureiro e atualmente como Vice-Presidente, além de ser mantenedor. Mas nem de perto posso ser referido como a figura mais importante da Escola nem

em sua fundação, nem em seu funcionamento, 12 horas por dias, às vezes sete dias na semana. Assim, Sr. Presidente, se esta homenagem é devida às realizações que a Escola Sathya Sai de Ribeirão Preto possa ter alcançado, preciso expressar-me, no máximo de minha honestidade, dizendo que este título, ou ao menos a homenagem a ele subjacente, precisa ser compartilhado. Sinto-me honrado. O carinho embutido na homenagem (e a sensação de pertencimento oficial a esta terra) enche meu coração de alegria, uma alegria muito verdadeira e intensa. Mas preciso partilhar a homenagem, se não posso fazê-lo com o título, com todos os que deram o melhor de si, o melhor de seu coração, doaram o melhor de sua vida—entregando seu tempo, seus recursos, sua dedicação, sua fé na educação e sua alegria para que a Escola pudesse alcançar os resultados que tem alcançado; para que os alunos expressassem ao máximo sua condição de plenos seres humanos.

Quem me apoiou? Melhor, quem apoiou comigo? De minha esposa, Dra. Vera Cristina Silva, a parceria de jornada é tão próxima que ela adentra a condição de Ribeirãopretana comigo, mais do que alguém a quem eu possa em algum sentido agradecer de algum outro lugar.

Quem me alçou vôo? Evidentemente, a família, que estabeleceu as raízes, os nutrientes iniciais e o impulso.

Meu pai, aqui presente, e minha mãe, que está comigo. Força e sensibilidade, determinação e amor, há combinações poderosas que recebi de presente, além de tudo que minha irmã e meu irmão, meus filhos e todos os outros na família doaram e doam sem pedir nada.

No  bairro  do  Ribeirão Verde,  Luis  Antônio  França  (atual  Presidente da Associação dos  Moradores  do Complexo do Ribeirão Verde e Presidente quando a Escola começou) e Francisco Antônio de Alcântara (Presidente da

Associação   na   gestão   anterior)   foram   apoios   indispensáveis.   O  França  transferiu   os   móveis   da   então   sede   da Associação de Moradores para outra edificação para que pudéssemos começar a trabalhar sem demora. Quem faz isso,exceto quem compartilha dos ideais?

A Prefeita Municipal de Ribeirão Preto, Sra. Darcy Vera, teve cuidados muito especiais ao longo de sua gestão na relação com as entidades filantrópicas conveniadas e apenas quem faz parte do esforço de integrar-se ao   Poder

Público para dedicar-se às partes da sociedade menos prestigiadas pode compreender a importância e o alcance das decisões da atual Administração Municipal nessa área. O Sr. Ângelo Invernizzi Lopes (atual Secretário Municipal de Educação) e a  Profa. Deborah Vendramini  (Secretária Municipal da  Educação anterior) deram guia, orientação, compartilharam entusiasmo educacional e princípios éticos, e, dentro daquilo que dita a legislação, deram todo apoio ao andamento  da  Escola.  As administrações  municipais  anteriores,  com  suas  ações  através da Secretaria  da Educação,também foram sempre parceiras. A Escola Sathya Sai ocupa terreno público por concessão de uso real por 30 anos para atividades educacionais devido a projeto da Administração Municipal aprovado por esta Casa.

Ao meu muito querido amigo e irmão,  Dr. Alexandre Tadeu Navarro  (atual Presidente da Associação Mantenedora da Escola Sathya Sai de Ribeirão Preto), ao Dr.  Roberto Santos Nascimento  (Presidente anterior da

Associação Mantenedora), Profa. Maria de Lourdes Jorge, cuja estatura como educadora e ser humano é de difícil descrição, Profa. Rachel Buzaid, Profa. Helena Siqueira, Ludmila Santos Spagnul Ribeiro, José Arroyo, Juciana

Dassie, membros das diretorias da Associação Mantenedora, não tiveram ou têm nenhum motivo para participar do esforço de dirigir e manter a Escola que não sejam sua fé inabalável na condição humana. O arquiteto Chico Moraes

fez como voluntário o projeto arquitetônico dos prédios que foram construídos. O esforço e o desprendimento do Dr. Alexandre Tadeu Navarro para manter financeiramente a Escola nos últimos anos são de uma dimensão única, além

do que vocês sequer podem imaginar. Esta é uma oportunidade extraordinária de agradecer-lhe de todo o coração A Fundação Waldemar Barnsley Pessoa  (do Grupo São Francisco), na pessoa do  Dr. José Sebastião dos Santos, vem dando apoio à Escola há sete anos em seu Custeio, com convênios que vêm sendo renovados, tendo sido peça muito central na viabilidade financeira da Escola. A participação da Fundação na manutenção da Escola mostra o

enorme benefício que empresas e fundações podem trazer a entidades filantrópicas e à sociedade em última instância.

O Instituto Sri Sathya Sai de Educação do Brasil, fundado em agosto de 2000, a cargo de dar formação educacional continuada sobre projetos que integram valores e conteúdos acadêmicos, trouxe sua sede nacional de São Paulo para Ribeirão Preto. Seu primeiro presidente, Dr. Marcos Cardoso Gomes, e sua esposa, Dra. Maria Helena Gomes,  fizeram um  enorme esforço  pessoal e um enorme  investimento financeiro,  construindo  os três primeiros módulos da sede da Escola e contribuíram com o funcionamento regular da Mantenedora.  O atual Presidente do Instituto, Dr. Rodrigo Bicalho, e todo o grupo de apoio à Escola em São Paulo (Erica Cimino Carvalho,  Marcia Kisar, Renata Camargo, Dr. Rodrigo Tubino Veloso, Sabrina Hornos, Sergio Pellegrino, Vera Ferraz) desde 2006 vêm dando suporte técnico, documental e financeiro, além de entusiasmo, à Associação Mantenedora da Escola Sathya Sai de Ribeirão Preto.

Como se faz, Sr. Presidente, da maneira realmente adequada—significando princípios e práticas educacionais,além de compreensão da legislação escolar—uma gestão diferenciada em uma Escola? Diretoras da rede municipal de educação têm sido parceiras importantíssimas, nos guiando, apoiando e orientando, no atacado e no   varejo,   em situações de emergência e pensando o projeto da Escola. Preciso citar de maneira muito especial a  Profa. Sandra

Cristina   Gonçalves  (Diretora  da  Escola  Municipal   Maria   Inez),   a  Profa.  Fúlvia  Giuntini  (Diretora   da   Escola Municipal Domingos Angerami), a Profa. Avelina Raquel Ribeiro Calazans Sussmann (Diretora da Escola Municipal

Geralda Espin), a Profa. Tereza Cristina Malaco (Vice-Diretora do Espin), e a Profa. Claudinea Nogueira Custódio (Diretora da Escola Municipal Prof.ª Elisa Duboc Garcia). Agradecimentos muitos especiais pelo acompanhamento e

orientação,  sempre  precisa  e ágil, precisam  ser dados a  Celina Mattos Marchiori  (Supervisora da Secretaria  de Educação) e Ana Claudia Fernandez (Supervisora de Ensino).

Aos Promotores de Justiça de Ribeirão Preto, na pessoa do Dr. Sebastião Sergio da Silveira, aos nossos inúmeros parceiros de Nota Fiscal Paulista em Ribeirão Preto e outras cidades, a nossos parceiros na construção da

quadra de esportes e a todos  membros da Associação Mantenedora, que vem doando bolsas regularmente para a manutenção   de   uma   Escola   com   gratuidade   completa,   nosso   mais   sincero   reconhecimento   e   agradecimento.   É impossível agradecê-los todos na extensão necessária.

Os pais e familiares dos alunos e alunas da Escola Sathya Sai de Ribeirão Preto são muito mais que a família dos alunos em reuniões. Primeiro, eles tomam uma decisão extremamente delicada, de confiar à Escola seus próprios

filhos para sua educação acadêmica e humana. Mas muito mais que isso, eles apóiam, valorizam e têm sido parceiros incansáveis para que a Escola se mova à frente. As mães se auto-denominaram “Guerreiras”. É o que elas são, em um

período difícil e adverso da cultura contemporânea.

Aos meus muito, muito queridos professores e funcionários, atuais e anteriores, a equipe de trabalho que chega muito cedo e sai tarde: são todos educadores da mais alta estirpe, do mais alto compromisso com a Escola, com seus

alunos e com a humanidade. Nas palavras de Sathya Sai Baba, essa é a profissão mais nobre que há. Não há projeto ou escola ou progresso sem esse compromisso com a Educação e com as pessoas da sociedade. Uma vez que a formação de valores não é matéria de lousa ou caderno, espera-se que cada funcionário-educador e cada professor-educador seja um  exemplo de   prática de  valores que   inspirem os  alunos.  Não  há outro  caminho.  Se temos  quatro turmas  que completaram o Ensino Fundamental conosco que nos enchem de orgulho, é apenas porque esses educadores têm conseguido fazer emergir o melhor de si para compartilhar com os alunos, a despeito dos desafios pessoais que sempre estão presentes. Dividem com os alunos força, determinação, auto-confiança, auto-estima, amor, verdade, respeito e que

outros valores mais se queira que os alunos também tenham. Vocês são a jóia da coroa, vocês são o perfume da Escola Sathya Sai, vocês são a força e a qualidade de todo nosso trabalho.

As Coordenadoras anteriores da Escola Sathya Sai de Ribeirão Preto e as Coordenadoras atuais,  Michele Tofanello, Silvia Kowara e Jaqueline Dassie, são colunas que sustentam o andamento não apenas na parte pedagógica,

mas da equipe de trabalho. Os agradecimentos devidos são iguais aos que deveríamos ter pelas colunas que sustentam a estrutura. O peso e a responsabilidade estão sobre os ombros. Diz-se que Deus não dá carga maior que os ombros podem carregar. Seus ombros, de fato, são impressionantes!

Às Diretoras anteriores, Profa. Maria de Lourdes Jorge, Profa. Vera Lucia da Matta, Profa. Sonia A. de Paula, Profa. Clotilde Boscato, Profa. Marta Mariani, e a Diretora atual, Profa. Marta Lucia Pereira Vieira: muito, muito,  muito obrigado. Em momentos anteriores, foi necessário um esforço para conduzir a Direção da Escola conjuntamente com outros compromissos. No momento atual, a Profa. Marta é o motor, a inspiração, o compromisso, a força, o discernimento e a guia. É o modelo com o qual todos aprendemos. Ela aprende com todos, integra todos,consulta quem sabe, vai em direção às situações difíceis que precisam ser resolvidas, ao invés de desviar-se das dificuldades. E doa seu coração, sua respiração e  sua  vida à Escola. As Diretoras e Diretores de escolas, além dos professores e funcionários, são minha inspiração, meu exemplo, meus heróis e sinal da minha fé na condição humana.

Alunos   e   alunas   da   Escola   Sathya   Sai,   vocês   são   a   alegria   de   meus   olhos,   o   motivo   do   projeto   e   o contentamento de meu coração. Vocês são a razão de ser da Escola: os quase 15 anos de trabalho têm mostrado que cada minuto de dedicação a vocês valeu a pena. Sejam grandes, mas acima de tudo, sejam bons. Cuidem de si, gostem de si.

E permitam que a fonte seja tão abundante, que vocês possam também cuidar de todos em seu entorno. Os valores a emergirem não são aqueles dos quais falamos, mas aqueles que vocês decidam que pertencem a vocês. Desenvolvam discernimento: é ele que vai guiar vocês em cada esquina, em cada decisão. Desenvolvam  sua própria noção de identidade. Não deixem que ninguém diga o que vocês são, quem vocês são. Não deixem que a televisão ou os outdoors ou quem quer que seja diga o que vocês são. Descubram, qual dizia o Sócrates grego, quem vocês realmente são.

Saibam quem vocês são, para além de tudo o que é temporário. E sejam plenamente o que vocês são.

Sr.  Presidente,  o  que está   subjacente  a  esse projeto de Escola?   Se posso  resumir corretamente,  alguns princípios muito simples. Começa, como mencionou Silvio Ferreira, da FSA, há algumas semanas, com a pergunta

“Que mundo queremos?” Não importará a resposta que possamos dizer à tribuna. Ou que possamos escrever em um papel em branco. Ou expressar em uma conversa a uma mesa. Importa mesmo a resposta que nos vem quando deitamos a cabeça no travesseiro, e apenas ela. Que mundo queremos? Evidentemente, há muitas respostas e cada uma delas é legítima em si. Mas qual é a nossa? Pois não faz sentido que desejemos uma sociedade que tenha paz se nossas ações movem o mundo na direção oposta. Não faz sentido que queiramos segurança, se são nossas ações são a causa, ao final das contas, da ameaça a nossa própria segurança. Não faz sentido que queiramos um país forte, estável, justo, se o que fazemos é a antítese do que realmente queremos para o país.

Não há truques ou atalhos. Devemos trabalhar na direção do mundo pelo qual ansiamos. De fato, vamos chegar ao mundo pelo qual nos dedicamos. Para os que anseiam por um mundo justo e em paz, não há trabalho melhor que a

educação. Mas os séculos e as pressões, os equívocos e as dificuldades práticas nos trouxeram a um paradoxo na construção de uma educação. Parafraseando o francês Georges Gusdorf, para quê serve a educação? Em virtualmente todos os cursos que temos oferecidos para professores, educadores e outros profissionais, a resposta é basicamente a mesma: para formar seres humanos. De fato, a palavra “educação” provém do latim educare, que é o verbo que indica ex duco, conduzir para fora. Assim, se vamos colocar em prática um projeto educacional em seu sentido mais profundo,a educação não é o processo de depositar informação orelha a dentro dos alunos. Educação, nessa acepção original, é permitir que a humanidade em cada um se expresse. É o processo de ajudar a emergir a condição humana em cada

criança, em cada pessoa.

Isso nos traz a uma posição bastante delicada: o que é “humano”? Guerra e saque, estupro e propriedade, dominação e território, violência e machismo, são atributos que muitos animais também têm. De fato, essas não são,

como diria Aristóteles, essencialidades da condição humana. Na melhor das hipóteses, é a animalidade que vive em nós.

Difícil responder. O projeto da Escola Sathya Sai de Ribeirão Preto concebe que o Amor e a Verdade, a Paz Interior e a Retidão, a Não-violência como expressão da percepção da unidade subjacente a todas as coisas—sociedade humana e natureza, planeta e cosmo—, são atributos especiais da condição humana. Ou essas mesmas coisas ditas com outros nomes. Elas precisam ser desenvolvidas, evidentemente, em paralelo à sobrevivência. A sobrevivência é indispensável.

Mas o que somos se não tivermos aquilo que é próprio da condição humana? Perdoando o vocabulário biológico de minha origem, o que acontece se o cérebro reptiliano dominar o encéfalo? Se a consciência for aprisionada pelo

instinto? É difícil, neste mundo, associar as consequências a suas reais causas, é comum reclamarmos da violência, mas rejeitarmos a arte, nos queixarmos da insegurança e negarmos qualquer coisa semelhante ao amor universal.

Utopia? Nem de perto, Sr. Presidente. Exeqüível.  Em todas as épocas, houve educadores de verdade. O Sócrates grego cedeu de bom grado sua própria vida por coerência com seus princípios. Ninguém sabe quem condenou

Sócrates. Mas Sócrates continua lembrado como a origem dos conceitos de educação no Ocidente. Em todos os lugares, há focos de consciência e dedicação. A educação, para além do treinamento na execução de operações repetidas, deve formar pessoas plenas. É exeqüível, mas, como Tomé, necessitamos ver para crer. Há Escolas Sathya Sai no Canadá e na Zâmbia, na Austrália e na Tailândia, na Índia e na Argentina. É um privilégio que haja uma em Ribeirão Preto, além de outras três no Brasil. Estudei no Otoniel Motta. Conheço escolas excepcionais, muitas públicas, algumas privadas, que se dedicam à realização daquilo que deve ser a educação, mesmo em um ambiente em que outras visões sobre educação estejam a destruir a educação. É impressionante ver alunos com 15 anos de idade que têm discernimento. Sr.

Presidente, o efeito, visível, da educação é impressionante. Chocou-me ver na Índia, em 1996, que essa combinação era possível nas escolas criadas pelo mestre e educador indiano Sathya Sai Baba. E é uma fonte de alegria ter visto em diversos países, bem  como aqui  em   Ribeirão   Preto,   crianças   profundamente amorosas e respeitosas, relaxadas e dedicadas, tranquilas e confiantes.

Receita? Só de bolo. Há apenas princípios educacionais a colocar em prática. Colocar em prática é o desafio.

Exige que todos na escola compreendam. O projeto subjacente à escola precisa ser compartilhado por toda a equipe, do porteiro e do caseiro aos professores de Matemática e Ciências: o Projeto Político Pedagógico precisa ser real. Os funcionários são educadores. Os professores são educadores. Os pais são educadores. A gestão escolar é educadora.

Não é possível esperar que os alunos desenvolvam paciência se os educadores são impacientes. É natural que os alunos se tornem respeitosos se os educadores são respeitosos. É natural que os alunos se tornem dedicados se os educadores são dedicados. Simples assim. Não há mágica. É apenas reflexo. Não é possível agir, nem mesmo escondido, segundo impulsos que traem os princípios se queremos esses resultados. Não é o discurso. São as pequenas ações que revelam nossa verdadeira visão de mundo e nossos compromissos como educadores. Por isso é tão difícil.

Esse é o motivo, Sr. Presidente, porque aceitei a proposta muito gentil feito pelo Vereador Marcos Papa e porque aceito com carinho a homenagem conferida por esta Casa: é uma maneira de compartilhar nesta tribuna que a

educação é possível. Desde que nossa prática educacional realmente seja um reflexo dos nossos valores e anseios. A própria recuperação da fé na educação nos recupera a fé na condição humana. Ela está lá, aguardando para expressar-se, ex duco, desde que haja coerência entre nossa visão de mundo e nossas ações.

A Escola Sathya Sai de Ribeirão Preto, Sr. Presidente, está sob risco, preciso mencionar. Com gratuidade completa, utilidade pública municipal, estadual e federal, Certificado Nacional de Filantropia, Isenção de Obrigações

patronais, CEBAS, contas auditadas regularmente por empresa autorizada e completa transparência. Com recursos vindos de várias fontes—Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, Fundação Barnsley Pessoa, pessoas físicas e empresas que doam bolsas, 40% de seu custo está descoberto. O déficit vem sendo coberto por uma única pessoa, cuja capacidade de manter a Escola está-se esgotando. Se não encontrarmos uma solução até junho, precisaremos comunicar nossa supervisora de   ensino   que   fecharemos as   salas   de 6° ao   9°  Anos   para   transferência  dos alunos.  Os   pais   foram informados, mas não se entregaram; mostraram-se, além de inconformados, parceiros.

A solução para a Escola, Sr. Presidente, entretanto, são os 2% de imposto das Empresas de Lucro Real que podem ser deduzidos e doados a entidades que tem a documentação completa. O Dr. Maurílio Biaggi   já   vinha discutindo no ano passado em Ribeirão Preto que o volume de impostos na cidade é tal que a simples organização do setor empresarial permitiria que este e diversos outros projetos com filantropia completa fossem mantidos com ampla folga. Permitiria que a cidade se orgulhasse muito particularmente de suas ações junto ao terceiro setor que se somam ao Poder Público. Ribeirão Preto tem um número impressionante de entidades filantrópicas, algo que poucos sabem—

diga-se, de pessoas que efetivamente se desdobram e se dedicam à sociedade. A fonte de recursos não é o caixa das empresas. Os mecanismos contábeis para a doação desses 2% são simples. Precisamos, evidentemente, de organização do terceiro setor e uma cultura sofisticada das empresas para escapar da condição atual e transferir apenas 98% do imposto devido ao governo. Precisamos urgentemente de empresários que queiram ser parceiros da Escola Sathya Sai,salvando as salas de 6° a 9° Ano.

Há cerca de três anos, Sr. Presidente, o custo por aluno na rede pública era de cerca de R$ 630,00/mês.

Atualmente, o custo de cada aluno na Escola Sathya Sai é de cerca de R$ 430,00/mês. Conseguimos resultados excepcionais a um custo baixo. Como foi comentado recentemente por um consultor da Coopercitrus que deve apoiar

um projeto da Escola, é uma estrutura enxuta. Prestando assistência, a Escola mais que se junta às escolas públicas em seu trabalho educacional. Ela aprende com educadores, diretores, professores de outras escolas; lapida seu próprio projeto; e divide o que aprende. Os cursos gratuitos que o Instituto oferece aos sábados no Ribeirão Verde são o esforço para compartilhar o que vem sendo aprendido. O projeto da Escola, assim, para além da assistência, multiplica seus resultados.

Precisamos de ampliar as bolsas adotadas por pessoas físicas; mas especialmente, precisamos formar um grupo de apoio no empresariado. Estar aqui em nome da Escola, Sr. Presidente, evidentemente é um motivo de enorme alegria. Meu e acho que de todos os que torcem e participam por esse projeto. É possível, para empresários e pessoas que compartilhem desses princípios e da intenção de construir uma sociedade melhor, ter igualmente o sentimento de estar dedicado ao melhor da condição humana.

Sr. Presidente, Srs. Vereadores que compõem esta Casa, senhores presentes, muitíssimo obrigado

 

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